sábado, 11 de abril de 2015

Sons e sinais

O neném nasceu!
Mamãe tá que não se aguenta,
Até os pirilampos vieram saudar o novinho.
Quem se olhou no espelho se achou velho,
A TV vai ser outra quando ele crescer,
As músicas serão outras...
O que sentirão uns jovens pelos outros,
O que sentíamos mesmo quando éramos jovens?
Chega de perguntas, o vento não me pergunta essas coisas,
Pois não quer resposta, quer um assobio,
O vento gosta de bincar com o tímpano humano,
O vento é ótimo instrumentista,
Tira som em qualquer coisa,
Acho que o Hermeto Pascoal é filho do vento.

Hoje de manhãzinha, na subida da serra,
Vi um bicho estranho,
Atravessou a estrada num correndo meio desajeitado,
Se meteu numa moita e ficou quieto,
Desci da moto, e como vi que era uma ave,
O peguei num bote,
Era um filhote de sariema, de uns dois quilos,
Tava gordão e quase sem penas,
Tinha muitas penugens brancas ainda,
O pescoço, as coxas, e a bunda estavam pelados.
Não tinha as proporções de um adulto,
As pernas eram curtas e grossas,
Assim como o pescoço.
Nunca vou me esquecer daqueles olhos,
Entre vermelho e laranja mais vivos que já vi.
Ele ficou bravo, soltando uns sons estranhos,
Chiados bem diferentes daqueles sons dos adultos,
Que lembram instrumentos.
Rapidamente apareceram os pais,
Com as asas abertas, chiando que nem o filhote,
Só que muito mais alto,
Eles iam me atacar, com certeza,
Estavam girando ao meu redor,
A mais ou menos dois metros,
Estavam mesmo muito agressivos,
Achei melhor soltar o filhote.
Não sei se foi um sinal pra mim,
Mas pro filhote e para seus pais,
Tenho certeza que fui.