segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ranja Abú! Ranja!

Ravengar no saco do seu pai balançava feliz,
E ainda balança no saco do cara que foi seu aprendiz.

Vejo Ravengas na chuva de fogo,
No silêncio do grito que ninguém goza nem chora.

Ravengar voltou pro saco do mágico.
Metamos a mão no saco 
Saquemos um magu da cachola,
Salta dai Ravengas onde quer que estejas!
Criança feliz de volta ao saco de Deus!



Um bardo dentro do saco,
Um saco com um mago dentro,
Um xamã dentro do chá do mato,
Um vaso com um bruxo dentro,

Cuidado com
Segredo perfumado,
Mistério impensado

 

Aberta a boca do saco
Saltaram piratas sátiros
Poemas cores e polcas e choros,
Mambos frevos e czardas e farras,
E fardas rasgadas almas confeitadas.

E voava da boca Abú,
Qual saco de Pandora a pergunta empinada:
O que é a vida?
Que respondida ou ignorada, fatalmente ecoava:
O que é a vida!!!!

Não havia esse ou aquele,
Que por mais que treinasse,
E seguro  parecesse,
Do Abú se safasse,
Ao Abú enganasse,
Pois ao vivo era a carne,
E nervos e a alma
Que despida falava,

Quando vinha o balaço,
Da pergunta afiada,
Pobre entrevistado,
Em procurava em si a resposta furtada,
Pois o traquina do Abú, o Abú brincalhão,
Cozinhava a verdade no seu caldeirão,

Com temperos tantos aromas, pimentas,
Poucos viventes digeriram a poção,
Mas Abú era sábio e gentil,
Se via o sujeito abeirar-se senil
Estendia ao coitado elegante a mão,
Salvando o mané de tal humilhação.


Dessa escola primária,
Onde somos alunos .
O Abú foi expulso.

Assim como viveu,
Abú vive,
Abú range rede,
E
 aplaudem os deuses,
Sem eira nem beira,
Nem porta ou porteira,
Alma rica, límpida e plena,
Voa  Abú! Ave Abu como diria César,
 Além mundos estrelas
Ranja Abú ranja!



O direito é canhoto

Há sangue na pupila da lei,
Um banqueiro envenenou a água do tribunal.
A sentença  tem o dna do juiz,
A justiça não saiu da cama esta manhã.
O lucro é do senhor,
O palhaço aprendeu a engolir a dor,
O circo segue viagem.
A termoelétrica cochila em sua almofada de metano,
Tomando micro-goles de glifosato na água aqui da roça,
Intocável a Monsanto me vê morrer assim,
Moita de braquiária entre o meio-fio e o asfalto.
Mais cedo ou mais tarde  vou ter que me matar de vez,
Afinal o que mais buscamos além de conforto?
Todos  matamos e morremos várias vezes ao dia,
Acho que posso continuar com isso,
Custei a tomar posse de mim,
Não posso me abandonar assim, cordialmente,
Não sem contrapartida, não sem festa, e jamais definitivamente.
Mijei na cova imaginária da minha madrasta hoje de manhã,
Mal posso esperar para me empanturrar de música pelo resto da vida.