terça-feira, 15 de setembro de 2015

Como querer ser diferente

Se o que busco parece alheio, parece roubo,
É porque vivo tramando armadilhas de colchões
E emboscadas de carinhos pra você!
.
Somos mesmo uma espécie avançada.

O vir da vida não é um mistério,
É uma linguagem de sensações,

E basta pensar em nada pra ver o tamanho disto

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Àquela

Veio me interpelar
Cobrou-me atenção
Quis satisfazer
Pensou pequeno
Falou em círculos
Caiu em si
Tentou olhar
Não podia
Enfastiou-se
Tentou
Não entendi
Zombei
Mostrei-lhe
Não atazano mais
Ninguém me guia
Loucura sábia
Duelos de olhares
Ouvintes ativos
Não sou do tipo
Parti
Me acalenta um velho
Me contesta uma menina
Há luz  bastante


terça-feira, 12 de maio de 2015

50

O cara da rádio não consegue me fazer ouvi-lo,
Mas ele sempre vai achar alguém,
Todos sempre achamos alguém.

Vejo TV e ela parece a mesma do ano passado,
E os cigarros, as bebidas e o seu umbigo,
Não parecem mais tão amigos.

Crônica virou canção,
Um junk sonhou um riff,
Toda banda precisa de um patife.

No fim do Still Life tem o Spangled Banner do Hendrix,
A Ode à terra dos livres e lar dos fortes.
O hino dos guerreiros do norte.

Em 82, a Globo exibiu o filme da turnê americana dos Stones,
Foi a primeira vez que ouvi Satisfaction,
My first soul erection

Hoje a primeira gravação de Satisfaction faz cinquenta anos,
Mr. Keith sonhou o riff, era pra ser balada,
O Mick  deu uma acelerada, pronto, primeiro da parada.



segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ranja Abú! Ranja!

Ravengar no saco do seu pai balançava feliz,
E ainda balança no saco do cara que foi seu aprendiz.

Vejo Ravengas na chuva de fogo,
No silêncio do grito que ninguém goza nem chora.

Ravengar voltou pro saco do mágico.
Metamos a mão no saco 
Saquemos um magu da cachola,
Salta dai Ravengas onde quer que estejas!
Criança feliz de volta ao saco de Deus!



Um bardo dentro do saco,
Um saco com um mago dentro,
Um xamã dentro do chá do mato,
Um vaso com um bruxo dentro,

Cuidado com
Segredo perfumado,
Mistério impensado

 

Aberta a boca do saco
Saltaram piratas sátiros
Poemas cores e polcas e choros,
Mambos frevos e czardas e farras,
E fardas rasgadas almas confeitadas.

E voava da boca Abú,
Qual saco de Pandora a pergunta empinada:
O que é a vida?
Que respondida ou ignorada, fatalmente ecoava:
O que é a vida!!!!

Não havia esse ou aquele,
Que por mais que treinasse,
E seguro  parecesse,
Do Abú se safasse,
Ao Abú enganasse,
Pois ao vivo era a carne,
E nervos e a alma
Que despida falava,

Quando vinha o balaço,
Da pergunta afiada,
Pobre entrevistado,
Em procurava em si a resposta furtada,
Pois o traquina do Abú, o Abú brincalhão,
Cozinhava a verdade no seu caldeirão,

Com temperos tantos aromas, pimentas,
Poucos viventes digeriram a poção,
Mas Abú era sábio e gentil,
Se via o sujeito abeirar-se senil
Estendia ao coitado elegante a mão,
Salvando o mané de tal humilhação.


Dessa escola primária,
Onde somos alunos .
O Abú foi expulso.

Assim como viveu,
Abú vive,
Abú range rede,
E
 aplaudem os deuses,
Sem eira nem beira,
Nem porta ou porteira,
Alma rica, límpida e plena,
Voa  Abú! Ave Abu como diria César,
 Além mundos estrelas
Ranja Abú ranja!



O direito é canhoto

Há sangue na pupila da lei,
Um banqueiro envenenou a água do tribunal.
A sentença  tem o dna do juiz,
A justiça não saiu da cama esta manhã.
O lucro é do senhor,
O palhaço aprendeu a engolir a dor,
O circo segue viagem.
A termoelétrica cochila em sua almofada de metano,
Tomando micro-goles de glifosato na água aqui da roça,
Intocável a Monsanto me vê morrer assim,
Moita de braquiária entre o meio-fio e o asfalto.
Mais cedo ou mais tarde  vou ter que me matar de vez,
Afinal o que mais buscamos além de conforto?
Todos  matamos e morremos várias vezes ao dia,
Acho que posso continuar com isso,
Custei a tomar posse de mim,
Não posso me abandonar assim, cordialmente,
Não sem contrapartida, não sem festa, e jamais definitivamente.
Mijei na cova imaginária da minha madrasta hoje de manhã,
Mal posso esperar para me empanturrar de música pelo resto da vida.




sábado, 11 de abril de 2015

Sons e sinais

O neném nasceu!
Mamãe tá que não se aguenta,
Até os pirilampos vieram saudar o novinho.
Quem se olhou no espelho se achou velho,
A TV vai ser outra quando ele crescer,
As músicas serão outras...
O que sentirão uns jovens pelos outros,
O que sentíamos mesmo quando éramos jovens?
Chega de perguntas, o vento não me pergunta essas coisas,
Pois não quer resposta, quer um assobio,
O vento gosta de bincar com o tímpano humano,
O vento é ótimo instrumentista,
Tira som em qualquer coisa,
Acho que o Hermeto Pascoal é filho do vento.

Hoje de manhãzinha, na subida da serra,
Vi um bicho estranho,
Atravessou a estrada num correndo meio desajeitado,
Se meteu numa moita e ficou quieto,
Desci da moto, e como vi que era uma ave,
O peguei num bote,
Era um filhote de sariema, de uns dois quilos,
Tava gordão e quase sem penas,
Tinha muitas penugens brancas ainda,
O pescoço, as coxas, e a bunda estavam pelados.
Não tinha as proporções de um adulto,
As pernas eram curtas e grossas,
Assim como o pescoço.
Nunca vou me esquecer daqueles olhos,
Entre vermelho e laranja mais vivos que já vi.
Ele ficou bravo, soltando uns sons estranhos,
Chiados bem diferentes daqueles sons dos adultos,
Que lembram instrumentos.
Rapidamente apareceram os pais,
Com as asas abertas, chiando que nem o filhote,
Só que muito mais alto,
Eles iam me atacar, com certeza,
Estavam girando ao meu redor,
A mais ou menos dois metros,
Estavam mesmo muito agressivos,
Achei melhor soltar o filhote.
Não sei se foi um sinal pra mim,
Mas pro filhote e para seus pais,
Tenho certeza que fui.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Sobre aquele ator que...



Coringa no Cavaleiro das Trevas:

"Eu acredito que aquilo que não nos mata, só nos deixa mais... estranhos."
"Veja, eu não sou um monstro ... Eu só estou na vanguarda."
"O único meio sensato de viver nesse mundo é sem regras."
"Introduzir uma pequena anarquia... perturbar a ordem estabelecida..."
Não é sobre o dinheiro. É sobre mandar uma mensagem."
"Eu não faço planos, eu sou apenas um agente do caos..."
"Veja, eu sou um homem simples. Eu gosto de pólvora, dinamite e gasolina!"
"Se você é bom em alguma coisa nunca a faça de graça."