segunda-feira, 11 de maio de 2015

O direito é canhoto

Há sangue na pupila da lei,
Um banqueiro envenenou a água do tribunal.
A sentença  tem o dna do juiz,
A justiça não saiu da cama esta manhã.
O lucro é do senhor,
O palhaço aprendeu a engolir a dor,
O circo segue viagem.
A termoelétrica cochila em sua almofada de metano,
Tomando micro-goles de glifosato na água aqui da roça,
Intocável a Monsanto me vê morrer assim,
Moita de braquiária entre o meio-fio e o asfalto.
Mais cedo ou mais tarde  vou ter que me matar de vez,
Afinal o que mais buscamos além de conforto?
Todos  matamos e morremos várias vezes ao dia,
Acho que posso continuar com isso,
Custei a tomar posse de mim,
Não posso me abandonar assim, cordialmente,
Não sem contrapartida, não sem festa, e jamais definitivamente.
Mijei na cova imaginária da minha madrasta hoje de manhã,
Mal posso esperar para me empanturrar de música pelo resto da vida.




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